quinta-feira, 3 de abril de 2014
7.
"and if a man can sleep salty from the sea and in the morning discover
himself to be a cattle drover, and if another wakes up as an insect in
the mind of a writer, and if from the fingers of a painter an Abaporu
blossomed, and if on a movie screen appeared ants and an Andalusian
dog, and if fields and branches and roses gave birth to imaginary
territories, you can be sad in the morning, hopeful in the afternoon,
and sunny at night, Bia,
you can dry your whole tongue in thirst, you can touch, not with thought, but with illogical feeling, that which vibrates between my words, and gather, like clothes on a line, the meanings that hang there, and also catch in all of them the history they begin to tell you;"
http://bookanista.com/daughter/
you can dry your whole tongue in thirst, you can touch, not with thought, but with illogical feeling, that which vibrates between my words, and gather, like clothes on a line, the meanings that hang there, and also catch in all of them the history they begin to tell you;"
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
6.
eu quero falar uma coisa bem específica que eu pensei enquanto via santo forte, do coutinho, outro dia; pela primeira vez, no ims (coutinho justifica uma viagem até a gávea). ele entrava na casa daquelas pessoas, cada uma com sua mitologia pessoal, assim como eu tenho a minha; mas a deles, diferentemente, envolvia acontecimentos mais manifestos.
umbanda, espiritismo, unidos ao catolicismo, reconhecidos pelo protestantismo. como católico, aquela imagem de joão paulo ii no flamengo, rezando uma missa, é-me tão cara quanto, ano passado, o papa francisco junto a 3,5 milhões de pessoas na praia de copacabana. eu estava lá, e aquela união ali, aquela presença humana, aquele silêncio que as vezes vinha... são as manifestações que temos. no filme, no entanto, toda aquela gente, que eu não sei se é boa ou má, mas que é gente, retratada com tanto carinho, conta sobre manifestações de orixás, sobre surra de orixás, etc; coisas que não fazem parte da minha fé, mas que ali é normal. e um procedimento usado pelo coutinho me encantou profundamente, e me lembrou um dos poucos bennings que vi, landscape suicide: logo após a pessoa contar que bem ali naquele terreiro, ou naquele mesmo quarto, ocorreu tal fato, de ordem sobrenatural, temos um plano, curto, daquele espaço vazio; um espaço como qualquer outro; desprovido de corpos, como um quarto vazio de nossas casas. mas, a luz do que acabamos de ouvir, esse simples procedimento, essa imagem do nada, do comum, transfigura-se no incomum. a presença do ausente, digamos.
me lembro o benning porque é mais ou menos isso que ele faz, mas de uma outra forma: ele retoma o caso de dois assassinos famosos e compõe um filme de planos longos, que passeiam pelo mesmo cenário em que aquelas pessoas estiveram, onde crimes ocorreram. como uma memória do espaço - ou, digamos, uma presença do ausente.
umbanda, espiritismo, unidos ao catolicismo, reconhecidos pelo protestantismo. como católico, aquela imagem de joão paulo ii no flamengo, rezando uma missa, é-me tão cara quanto, ano passado, o papa francisco junto a 3,5 milhões de pessoas na praia de copacabana. eu estava lá, e aquela união ali, aquela presença humana, aquele silêncio que as vezes vinha... são as manifestações que temos. no filme, no entanto, toda aquela gente, que eu não sei se é boa ou má, mas que é gente, retratada com tanto carinho, conta sobre manifestações de orixás, sobre surra de orixás, etc; coisas que não fazem parte da minha fé, mas que ali é normal. e um procedimento usado pelo coutinho me encantou profundamente, e me lembrou um dos poucos bennings que vi, landscape suicide: logo após a pessoa contar que bem ali naquele terreiro, ou naquele mesmo quarto, ocorreu tal fato, de ordem sobrenatural, temos um plano, curto, daquele espaço vazio; um espaço como qualquer outro; desprovido de corpos, como um quarto vazio de nossas casas. mas, a luz do que acabamos de ouvir, esse simples procedimento, essa imagem do nada, do comum, transfigura-se no incomum. a presença do ausente, digamos.
me lembro o benning porque é mais ou menos isso que ele faz, mas de uma outra forma: ele retoma o caso de dois assassinos famosos e compõe um filme de planos longos, que passeiam pelo mesmo cenário em que aquelas pessoas estiveram, onde crimes ocorreram. como uma memória do espaço - ou, digamos, uma presença do ausente.
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